Era uma vez um menino que nasceu com uma missão muito, muito especial. Aos seis anos de idade ele vivia com sua mãe numa cidade conhecida como "Cidade Feitiço". (Catanduva,SP).
Adorava falar, cantar, brincar e ajudava seus pais a "catar" café na fazenda em que trabalhavam como meieiros desde pequenininho. Sua mãe engravidou 19 vezes e muitos desses filhos não conseguiram sobreviver devido a pobreza. Quando ele tinha seis anos de idade, sua mãezinha, ainda muito pobre e doente e talvez para não vê-lo morrer de fome como aconteceu com vários de seus irmãos. A situação estava muito preocupante. Ela tinha que tomar uma rápida decisão.
Num belo dia de primavera com o sol bem alto la no céu, mãe e filho passavam por perto da estação de trem daquela cidade feiticeira. Foi ali que dona Rita, a mãe do menino, assim ela se chamava, teve uma ideia salvadora: deixar o menino num dos vagões para que alguém pudesse acolhê-lo e assim sua "sorte" poderia ser modificada para o resto de sua vida.
E assim, passados dez minutos de reflexão diante do bonito prédio da ferroviária, a mãe começou a chorar e, pela primeira vez em seis anos, sussurrou: "Sim, eu vou dar a este filho a oportunidade que os outros não tiveram. Um dia ele agradecerá e compreenderá que tudo que fiz por uma boa intenção."
Naquela época não havia tantas estradas asfaltadas como hoje e o trem era o principal meio de transportes que se dispunha tanto para ricos como para pobres. Claro que para os ricos havia vagão de luxo e para os pobres... Bem, ali eles viajavam todos entulhados uns sobre os outros...
Por isso, naquele dia a estação estava repleta de gente. Era hora de viajar de trem. E ali ele estava!
E para se chegar à plataforma onde estava o trem, havia uma escadaria.
E ali, subindo aqueles degraus, segurando a mãosinha do menino, a mãe já havia decidido que, com aquele filho, algo diferente iria acontecer.
O menino, na verdade, era o último filho que restara para d. Rita, já que todos os demais também haviam sido dados ou doados para outras famílias. Se bem que este ela tentou colocá-lo num orfanato ou num abrigo para menores. Mas não tinha vaga neles. Essas tentativas não deram resultado. E na época ela não conseguiu alguem que pudesse lhe dar emprego tendo um filho para cuidar. Sei lá!
Só sei que naquele dia, então, os dois chegaram até o trem imponente, que recebia centenas de passageiros em seus vagões. Ricos e pobres!
Finalmente entraram num vagão. D. Rita conseguiu um banco vazio para ela e para o menino. Sentou-se colocando-o no lado da janela.
Uns poucos segundos juntos e a frase proferida foi: "Filho, fique aqui. A mãmãe vai buscar uns doces prá você. Fique aqui, não saia!
Beijando-o com ternura, passou as mãos em seu rostinho... aqueles olhos bem no fundo talvez por não ter tido ainda seu desjejum, aquela barriguinha tão grande talvez por vermes e solitárias não tão solitárias assim... aquelas perninhas magras meio cobertas pela bermudinha suja, esfarrapada... aqueles bracinhos finos, magros...
D. Rita sai do trem. Mãe e filho se vêem juntos pela última vez! Ela ainda passa pelo lado de fora da janela. O menino a vê... um beijo lonnnnnngo se dão...
Ele fica ali sozinho, mas alegre, afinal, uns doces virão e a viagem será linda e inesquecível. Talvez só inesquecível! E o trem vai partir em breve...
Alguns minutos de calma e de confiança e nada da mamãe chegar...
E nada dos doces chegarem...
O trem tinha horário. Um apito forte se ouve... Era o guarda que avisava para o maquinista que o trem já poderia partir... e agora, era o trem que apitava forte com aquela buzina barulhenta...
Enquanto ouve o som da buzina do trem ecoando num eco sem fim, avisando que iria reiniciar sua viagem, a calma e a confiança pouco a pouco foram substituídas por um sentimento e sensação de ansiedade e na sequencia o desespero... sim. E na medida que se deixa invadir pelo desespero começa a se dar conta de que algo de muito ruim poderia acontecer se sua mãe não chegasse a tempo para entrar no trem...
Desespero!
Mais um apito...
"Cadê minha mãe?", talvez pensasse aquele pequeno coração. Mas a mãe já havia decidido o seu destino. Ele nunca mais veria aquela que tanto ele amava e a única coisa que até então, ele tinha de segurança e conforto. Agora? Nem o papai? Nem a mãmãe? Nem seus irmãozinhos?
Cadê todo mundo? O trem começa a andar lentamente, lentamente...
E para piorar aqueles momentos inenarráveis e inesquecíveis, o trem começa a se mexer... a calçada do lado de fora começa a ficar para trás. As pessoas que não embarcaram davam adeus acenando com as mãos aos parentes que, de dentro, sorriam...E também ficavam para trás à medida que o trem pega velocidade... e o menino ali na janela... mal podia acreditar no que estava sentindo... Pensou agoniado. Sua mãe provavelmente estaria tentando correr atrás do trem para alcançá-lo e com isso poder abraçar novamente seu filhinho... mas, não!!!
A única coisa a ser feita ali era berrar, berrar, berrar! Seus gritos então passaram a alcançar todo aquele vagão: "Parem o trem! Minha mãe está lá fora! Parem o trem!. Por favor, parem o trem, minha mãe... minha mãe... minha mãe..."
Não conseguiu, no entanto, por mais que gritasse, que alguém o ouvisse. Que o trem parasse...
Desumano, o trem desliza sobre os trilhos cada vez mais veloz e não percebe que conduz um grito de alma despedaçada que clamava por aquele rosto, por aqueles braços, por aqueles afagos. "Cadê minha mãe?", suplicava derrotado aquele coraçãozinho indefeso.
E os passageiros? Meu Deus, quanta gente ali dentro do trem e ninguém nada faz? Sim, todos assistem à cena, ouvem os gritos, mas..., nada.
Talvez pensassem que a mãe estivesse no outro vagão, sei lá! O drama do menino do trem... silêncio interminável cercou aquela criança que trazia no peito soluços abafados... cocô, xixi, tudo ali, nada importava...
Gritou. Gritou... Chorou... Berrou... Até que...
Seus gritos já não saiam mais. Aquela gargantinha ressecada, talvez desconsolada, tentava inutilmente implorar pela última vez pela volta da mãe...!
No decorrer da viagem, já sem voz, apenas seus gemidos podiam ser escutados dentro daquele vagão... e o trem seguiu... velozmente agora... Mãe e filho nunca mais seriam vistos juntos!
Um ou dois dias depois, colocado num trem que fazia o percurso de volta, o menino tinha plena certeza de que a mãezinha dele estaria de braços abertos aguardando-o... e assim, o pesadelo teria chegado ao fim.
Mas o destino teria que lhe dar mais uma rajada de sofrimento, angústia, desespero... Qual não foi sua tristeza ao desembarcar de volta e... cadê? Sua mãezinha do coração, na verdade, soube-se mais tarde, havia ficado também tão desconsolada pela partida do filho e doente, caiu numa cama de hospital.
Com isso, passei a viver e morar nas ruas da cidade Feitiço. Iniciou naquele momento mais uma fase da jornada agora em busca de abrigo e algo para comer. Ou de busca contínua de novas aprendizagens?
Mas, nosso amiguinho era inteligente... persistente... lutador... bravo... bravíssimo!!! Ele não sabia que todo aquele caos o levaria a ver no futuro, tão nitidamente, que tudo fazia parte de um plano do Universo para que ele conhecesse real e efetivamente sua missão aqui na Terra.
É hora de mudar! É hora de de paz no mundo e em nós mesmos. E com sua voz agora bem treinada, começaram a circular ondas de energia positiva por todo o lugar em que a gargantinha profere as palavras que vêm de sua alma... Até quando? Até quando Deus quiser e permitir... Afinal, todo o projeto é Dele.
Mas você pode aplaudir a coragem da d. Rita, uma mãe que você não viu de perto.
Que tal, depois de aplaudi-la, aplaudir também a sua mãe... essa que, talvez, nas mesmas circunstâncias, fizesse o mesmo...
A história do menino o trem será calmamente contada em proza e verso... volte mais vezes... tenho muita coisa para contar... Tenho muito prazer em contar a minha orgulhosa e intrépida história.
Afinal, essa é a história da minha vida. O menino do trem sou eu... e eu não sei, mas acho que realmente você passa a ter sua história também modificada a partir de aogra, pois, a partir de agora, ao contar a sua história, você também terá que dizer e se referir ao menino do trem e talvez você diga: "... a minha vida seguiu até que um dia eu conheci a história do menino do trem... e foi assim, assim, assim..."
E não é bom perceber que algo esteve guiando e protegendo sempre aquele menino? Será que ele selecionou as mensagens mais convenientes daquela experiência? Que aprendizagem fez na vida e faz até hoje? Que novos pensamentos, novos sentimentos, novas sensações e novos comportamentos ele pode desfrutar com tudo isso?
E não é bom ter nossas histórias se encontrando, se misturando? Ao contar minha história, eu não sei, mas acho que você sabe que, a história da minha vida mistura-se com a sua... e confunde-se com a de milhares de outras. Mas eu também posso imaginar que algo de muito, muito iluminador está no nosso coração agora e talvez por isso podemos dizer juntos: "Nós vencemos! Yrrúúúúú!!!! Vencemos a pobreza! Vencemos os medos! Vencemos as doenças! Vencemos os maus tratos da vida! Vencemos as picadas (ou mordidas) das pulgas quando as tínhamos no corpo! Vencemos a fome! Vencemos os natais tristes, os aniversários que nunca foram comemorados! Vencemos o desprezo desumano... mas acima de tudo, mais que tudo mesmo, vencemos a frustração. A frustração que leva muitos aos vícios, às loucuras... a mesma frustração que venci foi a mesma frustração que me trouxe até aqui... Valeu vencer as frustrações? Valeu. Valeu mesmo! Yes!!!
Muito obrigado por ter lido e se interessado por esta pequena parte da minha história.
E eu estou muito, muito curioso e interessado em ouvir, conhecer, e saborear a sua história também.
Eu já disse antes, mas repito... ao sair deste site ou agora mesmo, por favor, dê uma pequena e singela salva de palmas para a minha mãe... pela coragem, pela decisão, pelo corte na alma ao deixar o filho para seguir seu novo destino... pois se a coragem lhe faltasse,... aquele menino não estaria escrevendo esta pequena biografia.
Além disso, o menino do trem proferiu em sua vida toda mais de 10 mil horas de palestras. Muito mais... Tirou milhões de aplausos para si, para sua mãe... pela coragem de ambos, talvez!!! E ao final, se realmente você aplaudiu a dona Rita Lopes, eu sugiro novamente que você aplauda, abrace, agradeça também à sua mãe, cuja fisionomia você pode ter mais perto de você... aplauda agora a sua mãe também!
Eu não conheço a sua, mas sei que esta é a minha história de vida, a minha missão. Cumpri-la, faz com que eu me sinta realmente feliz!”